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Talento! Já se nasce com talento ou se conquista?


O tema Talento é recorrente em diversos domínios do conhecimento. Ao longo dos tempos, acompanhando a história da humanidade, o questionamento sobre a origem do Talento é uma pergunta bastante frequente. Particularmente no Futebol, as inquietações sobre o tema Talento não são diferentes e invariavelmente recaem sobre “qual a origem do Talento no Futebol” ?


No repertório das respostas possíveis, encontramos correntes que dão explicações baseadas em crenças, como por exemplo, atribuir o Talento a um dom ou a um presente divino. Por outro lado, com a evolução do conhecimento científico, o tema Talento também passou a ser objeto de interesse e investigação. Assim, para a corrente científica, parte das explicações sobre o Talento passaram a ser orientadas para um viés genético. Cabe observar que, seja o dom ou seja a genética, ambos tendem a remeter as respostas para a ideia de que já se nasce com o talento.

Contudo, sobre o peso e o real impacto do dom e/ou da genética sobre o Talento, atualmente se reconhece que ambos, ao contrário do imaginário popular, não são capazes de explicar a complexidade existente no fenômeno Talento (ex.: dimensões física, cognitiva e pessoal). Ou seja, atribuir o Talento no Futebol a um fenômeno no qual aquela criança que nasce com o dom será jogador de futebol e aquela que não nasce com o dom não será, pode ser um grande e irreversível equívoco, colocando todo o processo de desenvolvimento de talentos no futebol em risco (obs.: o mesmo raciocínio vale para a genética).

Em outras palavras, sendo prático, hoje a ciência reconhece que o Talento é altamente dependente do “ambiente” em que nos desenvolvemos (ou seja, fatores pessoais associados ao país, cidade, cultura, tradição, oportunidades, família, amigos, professores, etc). Portanto, nossa orientação sobre o Talento no Futebol requer um conhecimento fundamental, ou seja: o Talento se desenvolve!

Neste sentido, ao assumir que o talento se desenvolve, temos 2 caminhos: (i) o acaso; e (ii) o motivo. Ou seja, por obra do acaso o ambiente pode oferecer condições para o desenvolvimento do talento no futebol. No Brasil, sabemos, devido a forte tradição e cultura do futebol, praticado nas periferias, ruas, campinhos de terra, várzea, quadras, campos imaginários, etc, podemos concluir que muitos jogadores brasileiros talentosos surgiram por obra do acaso, num ambiente de aprendizagem informal, acidental, espontâneo, mas altamente promissor. Por outro lado, cabe uma importante reflexão: atualmente, no Brasil, dadas as mudanças ocorridas e observadas no ambiente em que vivemos, será que ainda temos um ambiente naturalmente e espontaneamente promissor como há 20, 30 anos atrás?

Por fim, ao assumir que o talento se desenvolve e que o ambiente é elemento fundamental para o desenvolvimento do talento, precisamos buscar nas “Ciências do Esporte, na Cultura e Escola do Futebol Brasileiro” os conhecimentos e pilares que nos permitem planejar e estruturar a prática desde as Escolas de Futebol e Categorias de Base. Afinal, é neste ambiente que se encontra o futuro das novas gerações de talentos para o futebol. Pensar e fundamentar a prática e o ambiente de desenvolvimento do talento, sem se furtar da nossa cultura e tradição é o caminho para potencializar o talento no futebol brasileiro.

Portanto, associar a nossa “cultura e Escola Brasileira” à “Ciência do Futebol” é a chave da resposta para o desenvolvimento de uma nova e promissora geração de talentosos jogadores e jogadoras de futebol.

Fonte: Site CBF / Notícias

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